Evelina Oliveira
Saltava as pedras de granito que bordejavam os passeios da calçada. O desafio era nunca calcar as divisórias. E o que era muito difícil, vinha-se tornando cada vez mais fácil. Bastava esticar bem as pernas esguias, alhear-se dos velhos que abalroava, contornar os postes que só estorvavam, e sentia-se grande, cada vez maior, como um eucalipto que sonhava alcançar.
Naquele dia, a compasso, sem parar, foi saltitando como se voasse de flor em flor, leve, com o ruído do esforço da passada de uma atleta, até que…”que estranho!”, o passeio acabava ali. Não fazia esquina para outra rua como sempre, não arredondava a sua continuidade! Aliás, olhando para todo o lado, reparou que tudo acabava ali porque todo o resto se tinha esfumado no meio de uma neblina densa que só a deixava ver o passeio e o seu final.
Foi então que reparou numa velha porta entreaberta. Talvez o passeio continuasse do outro lado. Empurrou-a, pesada, e entrou.
Os holofotes acenderam-se e vislumbrou um mar de gente que rodopiava num frenesim intenso. Alguém lhe atirou um molho de roupa e um grito:”Apressa-te. Veste-te. Entras dentro de cinco minutos.”Ia ser a sua estreia na vida adulta.
Acho que o "Fear Theme" dos Chinematic Orchestra que ouvem em fundo ilustra bem o movimento do texto.
Os holofotes acenderam-se e vislumbrou um mar de gente que rodopiava num frenesim intenso. Alguém lhe atirou um molho de roupa e um grito:”Apressa-te. Veste-te. Entras dentro de cinco minutos.”Ia ser a sua estreia na vida adulta.
Acho que o "Fear Theme" dos Chinematic Orchestra que ouvem em fundo ilustra bem o movimento do texto.






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