quarta-feira, 17 de Junho de 2009

UM POETA RECORDA-SE

Cala-te rouxinol
Deixa-me ouvir-te melhor

Ao crepúsculo
se desvenda
absurdamente,
tudo
o que o dia pleno
encobre.

pintura de António Carmo




RUMO


Ergue-se
do mundo
em mim o que sou.
Estou talvez só.
Mas com decisão
na dor o aceito.
Que importa o rumo
por que sigo
ser imperfeito?
Exacto e duro,
tudo procuro
compreender.Pensar é ir.
Ir é ser.


As palavras são todas de Armindo Rodrigues,que Saramago descreveu como "um poeta de rua, de lugar habitado, não um poeta urbano"

2 comentários:

jj disse...

Não serão "de rua" todos os poetas?

:D



Jinhos.

P.S. Tens lá no meu cantinho, nos comentários, a indicação de onde fica a Centésima. De passagem obrigatória numa visita a Braga. ;)

Janaina Amado disse...

Agora é a minha vez: Não conhecia este poeta, obrigada por apresentá-lo, gostei dos versos.